É uma boa hora para perguntar. Alguém discorda? Vejamos uma contextualização do quadro geral da educação atual. Professores estão desmotivados, trabalhando nas escolas em condições precárias, muitas vezes utilizando-se apenas de quadro e giz, sem infraestrutura: salas precárias, e materiais pedagógicos obsoletos. Na era da informação ainda vemos mestres sem manuseio de computadores e muitos com um medo enorme da máquina. Livros didáticos de baixa qualidade, sem uma articulação com a realidade regional, pouco investimento por parte dos governos em educação e muitas demandas de saúde nas escolas, crianças com sérios problemas emocionais e desestrutura familiar são corriqueiros: abusos, maus tratos, e muito mais que apenas quem vive o dia-a-dia e sofre com essas realidades é que sabe.
Ainda devemos levar em conta que essa desvalorização do professor vem de décadas e traz consequências desastrosas: os pais ou responsáveis não tem muitas vezes um entendimento da necessidade de seus filhos e filhas terem uma educação de qualidade, apenas precisam do dinheiro do Programa Bolsa Família para sobreviver. Buscamos trazer essa comunidade para a escola chamando para palestras a fim de fazermos nossa parte e recebemos a grata surpresa de que esse é o caminho. Mas que estrutura tem para dispor? Não temos dinheiro para contratar palestrantes, não podemos desenvolver materiais informativos, pois não dispomos de verba para isso, não temos espaços adequados para tais atividades e nossa função deixa de ser social e passa ser paternalista, de enganação de que estamos realmente formando indivíduos críticos e cidadãos conscientes da sua vida e atuação politica nessa sociedade.
Mas ainda assim muitos educadores estão firmes nas escolas mesmo com toda força da maré contra, ainda assim nos damos conta de que somos o esteio dessa sociedade que muitas vezes nos ignora. Fico pensando como temos tanta força? Agora é de indignar que o Secretário de Educação seja intransigente a tal ponto de nos negar um aumento salarial digno e tentar nos fazer engolir, com todas as letras, vírgulas etc. um projeto no final do ano letivo que modifica e muito a rotina escolar do ensino médio, sem que haja uma reação. Mas essa reação existe por que nós educadores temos nossa consciência politica, de vida politica bem esclarecida e não aceitamos tudo que querem nos empurrar.
Uma questão que ainda me revolta mais, aqueles que deveriam zelar por uma educação e escola democrática nem sequer informam seus alunos e professores de todas as mudanças que estão por vir. Ficam apenas em seus castelos dirigindo as escolas e não dão voz nem vez aos atores principais dessa sociedade que são os alunos, pais, funcionários e professores. Enquanto estávamos em greve estivemos em escolas de Gravataí para dialogar com os professores, funcionários e alunos, e me surpreendi quando soube que alunos de uma escola não sabiam que haveria mudanças. Onde está a informação, a discussão massiva que o governo afirma haver? Onde está a gestão democrática que ouve e preserva o direito de participação de todos nos rumos da escola? É pena, mas está apenas no papel, e esse ninguém mais lê, pois está engavetada, criando poeira e é muito complexa para se deixar libertar, é complexa demais para se tornar praticada.
Maura Carneiro
Supervisora Escolar
Diretora do 22º Núcleo CEPERS
sábado, 3 de dezembro de 2011
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